
"É o seguinte pessoal, a gente vai comendo pelas bordas, sem falar muito". Foto: Huawei.
A Huawei é o novo fornecedor da plataforma multicloud do Serpro, a maior estatal brasileira de tecnologia.
De acordo com o Diário Oficial desta quarta-feira, 19, o contrato é de R$ 23,06 milhões por cinco anos.
Em junho de 2020, já havia sido anunciada uma parceria com a AWS, também por cinco anos, mas no valor de R$ 71,2 milhões.
Os dois acordos são diretos, sem licitação, com base em uma dispensa prevista na Lei de Estatais.
O modelo de atuação do Serpro prevê a composição do preço final a partir de duas contas: a unidade de serviço de nuvem, pertencente ao parceiro, e a unidade de serviço técnico, que é a parte do Serpro na equação.
Os valores fechados com a AWS e Huawei provavelmente são uma previsão de pagamentos futuros.
O Serpro já anunciou planos de fechar acordos do tipo com todos os grandes players de computação em nuvem, visando se tornar na prática um intermediário da compra de cloud pelo governo.
Em junho do ano ado, o Serpro abriu estar com 100 potenciais clientes na istração pública, potenciais interessados em migrar parte de seus sistemas para a nuvem da AWS.
O governo federal está fazendo grandes investimentos em migração para nuvens públicas de grandes fornecedores internacionais.
Em abril, a Extreme Digital Solutions, uma empresa de médio porte com forte presença no setor público, foi a ganhadora do pregão da para escolher uma integradora de nuvem pública para o governo federal, com uma proposta de R$ 65,94 milhões.
A empresa fez uma proposta combinando as nuvens da AWS, Huawei e Google. Ao todo, 44 órgãos públicos mostraram interesse.
Os descontos oferecidos foi significativo, uma vez que a licitação chegou a ser estimada inicialmente em R$ 340 milhões.
De qualquer maneira, as contratações finais podem ser muito superiores ao valor fechado inicialmente.
Organizada pelo Ministério do Planejamento ainda no governo Michel Temer, em 2018, a primeira licitação do tipo foi vencida pela Embratel com a nuvem da AWS, com um valor inicial de R$ 30 milhões para 10 órgãos. Com 13 adesões posteriores, o valor chegou a R$ 55 milhões.
A Huawei é chinesa, mas está agindo de modo mineiro nas suas relações com o governo brasileiro.
Apesar da má imagem com o lado mais histriônico do governo Jair Bolsonaro (a última grande polêmica levou à queda do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo), a Huawei vem conquistando seus objetivos sem falar muito.
Ao que tudo indica, a empresa estará entre os fornecedores habilitados para o 5G no Brasil, contra a vontade da chamada “ala ideológica”, e agora está no hall de fornecedores de nuvem do Serpro, ando na frente de Microsoft, Google, Oracle e IBM.