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Foto: Pexels.
As autoridades ucranianas estão utilizando a tecnologia de reconhecimento facial da norte-americana Clearview para identificar os militares russos mortos ou capturados desde o início da invasão do país.
Até agora, já foram mais de 8,6 mil rostos escaneados e 582 russos identificados, no que o The Washington Post classifica como uma das aplicações mais horríveis da tecnologia.
Segundo o “exército de TI” do país, formado por um grupo voluntário de hackers e ativistas, o objetivo é informar as famílias sobre as mortes, inclusive com o envio de fotos dos cadáveres abandonados.
De acordo com Hoan Ton-That, CEO da Clearview, mais de 340 funcionários em cinco agências governamentais ucranianas podem usar a ferramenta de forma gratuita para realizar pesquisas de reconhecimento facial sempre que quiserem.
Além disso, os funcionários da companhia fazem chamadas de treinamento semanais ou diárias pelo Zoom com novos militares ucranianos que desejam obter o à tecnologia.
O executivo disse ao jornal que a empresa ofereceu seus serviços pela primeira vez ao Ministério da Defesa da Ucrânia no mês ado, após ver propaganda russa dizendo que os soldados capturados eram atores ou fraudes.
Cerca de 10% do banco de dados do software vem da VKontakte, maior rede social da Rússia, que se tornou uma ferramenta útil para o reconhecimento facial nos campos de batalha.
Apesar disso, alguns resultados de pesquisa podem ser imprecisos, o que pode levar pessoas erradas a receber a notícia da morte dos seus filhos.
Considerando esse aspecto, o Privacy International, um grupo de direito digital, pediu à Clearview que encerre seu trabalho na Ucrânia, com a justificativa de que “as consequências potenciais seriam cruéis demais para serem toleradas – como confundir civis com soldados”.
Em contrapartida, o CEO da Clearview disse que a ferramenta de pesquisa da companhia é minuciosa, inclusive em casos de danos faciais severos.
Os ucranianos defendem o uso da ferramenta como uma maneira brutal, mas eficaz de desencorajar os combatentes e antecipar o fim da guerra.
Por outro lado, analistas militares e de tecnologia temem que a ferramenta possa inflar a raiva dos familiares, causando uma "guerra psicológica e definindo um novo padrão perigoso para futuros conflitos", como disse Stephanie Hare, pesquisadora de vigilância em Londres, ao The Washington Post.